Ansiedade de separação: plano passo a passo para ajudar o seu cão
Ensinar um cão a ficar sozinho faz-se em passos tão pequenos que ele nunca chega a entrar em pânico. Um plano prático, com o que fazer enquanto treina.
Se ainda não leu, comece por o que é a ansiedade de separação. E antes de tudo: consulta no veterinário, para excluir problemas de saúde e, se for o caso, discutir medicação. Em casos moderados a graves, a medicação não substitui o treino, mas ajuda muito o cão a conseguir aprender.
A ideia central
O treino faz-se abaixo do limiar de ansiedade: as ausências começam tão curtas que o cão nem chega a ficar nervoso, e aumentam muito devagar. Cada vez que o cão entra em pânico, o medo reforça-se. Por isso, durante o treino, o ideal é que não fique sozinho mais tempo do que aguenta.
Enquanto treina: não o deixe entrar em pânico
Arranje alternativas para os dias de trabalho: um familiar ou vizinho, um pet sitter, levar o cão consigo quando possível, um hotel ou creche canina. Muitos cães com ansiedade de separação ficam bem com qualquer pessoa, não precisam necessariamente do dono.
Passo 1: tornar as saídas aborrecidas
- Pegue nas chaves, calce os sapatos, vista o casaco… e sente-se no sofá. Repita várias vezes ao dia até o cão deixar de reagir.
- Despedidas e chegadas calmas: sem grandes festas. Ao chegar, espere que ele acalme e cumprimente com tranquilidade.
Passo 2: distância dentro de casa
- Dê-lhe uma cama confortável e um brinquedo recheado. Afaste-se uns passos e volte. Depois vá à cozinha e volte.
- Feche uma porta ou cancela por segundos, depois minutos.
- Se ele mostrar sinais de stress (ganir, arranhar, andar de um lado para o outro), volte ao passo anterior.
Passo 3: saídas mesmo curtas
- Saia pela porta e volte antes de ele se inquietar. Pode ser só 5 segundos.
- Use a câmara para ver em direto como ele está.
- Aumente aos poucos: 10 s, 20 s, 30 s, 1 min, 2 min… Varie (às vezes mais curto) para não ficar previsível.
- Uma ou duas sessões por dia, com várias repetições. Pare sempre num sucesso.
O progresso não é em linha reta. Há dias piores: baixe a fasquia e continue. Os primeiros minutos costumam ser os mais difíceis; depois de o cão aguentar 30 a 40 minutos tranquilo, o tempo costuma aumentar mais depressa.
O que ajuda no dia a dia
- Passeio com farejo antes de sair (um cão cansado e satisfeito relaxa mais).
- Brinquedos recheados e tapetes de farejar, mas sem os tornar no «sinal» de que vai sair: dê-os também quando está em casa.
- Rotinas previsíveis de refeições, passeios e descanso.
- Música calma ou rádio, se ajudar o seu cão (veja no vídeo).
- Independência em casa: premeie o cão quando escolhe descansar na cama dele em vez de o seguir para todo o lado.
Prevenir em cachorros e cães recém-adotados
Ensine desde os primeiros dias que ficar sozinho é normal: momentos curtos noutra divisão com algo bom para roer, que vão aumentando. Se está de férias ou a trabalhar em casa, crie na mesma ausências diárias, para o cão não perder o hábito. Uma recomendação comum é não deixar um cão adulto sozinho mais de cerca de 4 horas seguidas.
Quando pedir ajuda profissional
Se o cão se magoa, se os vizinhos se queixam ou se não vê melhoras em algumas semanas, procure um médico veterinário com formação em comportamento ou um treinador especializado em ansiedade de separação. Com um plano feito à medida, a maioria dos cães melhora muito.
Os conselhos deste blog são informativos e não substituem a consulta com um médico veterinário.
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