Ansiedade de separação: o que é, sinais e causas
Ladra, uiva ou destrói a porta quando fica sozinho? Pode ser ansiedade de separação. Saiba distinguir de tédio ou falta de educação e porque não é culpa do cão.
A ansiedade de separação é um problema emocional: o cão entra em pânico quando fica sozinho ou longe da pessoa a quem está mais ligado. Não é desobediência nem vingança. Estima-se que afete uma parte importante dos cães (alguns estudos falam em cerca de 15 a 20%), e é uma das razões mais comuns para cães serem devolvidos às associações.
Sinais mais comuns
Acontecem só ou sobretudo quando o cão fica sozinho, muitas vezes nos primeiros 30 minutos:
- Ladrar, ganir ou uivar sem parar (os vizinhos costumam ser os primeiros a avisar)
- Arranhar e roer portas, janelas, molduras e estores, a tentar sair
- Fazer xixi ou cocó em casa, mesmo tendo saído antes
- Andar de um lado para o outro, ofegar, babar muito
- Não tocar na comida nem no brinquedo recheado enquanto está sozinho
- Tentar fugir, por vezes ferindo-se nas patas ou nos dentes
- Ficar agitado quando percebe que vai sair: pegar nas chaves, calçar os sapatos
- Receções exageradas quando volta
Filme o seu cão
A melhor forma de saber o que se passa é gravar o cão quando sai (um telemóvel velho ou uma câmara de vigilância chegam). Um cão que dorme tranquilo e só roeu um sapato por aborrecimento é muito diferente de um cão que chora à porta durante uma hora.
Não confundir com
- Tédio ou falta de exercício: o cão destrói coisas ao acaso, não junto às saídas, e está bem-disposto.
- Cachorro a aprender: acidentes de xixi e roer acontecem também com os donos em casa.
- Medo de barulhos: o pânico começa com trovões, foguetes ou obras, não com a saída do dono.
- Problemas de saúde: incontinência, dor ou doenças da idade podem parecer ansiedade. Por isso o primeiro passo é sempre o veterinário.
Causas e fatores de risco
Não há uma causa única. Os fatores mais associados são:
- Cães adotados ou que mudaram de família
- Mudanças na rotina: mudança de casa, regresso ao trabalho presencial depois de um período em casa, separação da família, morte de alguém próximo
- Cães que nunca aprenderam a ficar sozinhos em cachorro
- Separação da mãe e dos irmãos demasiado cedo
- Cães idosos, por vezes associado a declínio cognitivo
- Uma experiência assustadora vivida a sós (por exemplo, uma trovoada)
O que não ajuda
- Castigar quando chega a casa. O cão não liga o castigo à porta roída há duas horas; só aprende que a chegada do dono também é assustadora.
- Arranjar outro cão «para lhe fazer companhia». Às vezes ajuda, muitas vezes não: o cão está ligado à pessoa, não precisa de um cão qualquer.
- Fechar numa caixa um cão em pânico. Pode ferir-se a tentar sair.
A boa notícia: a ansiedade de separação trata-se, com treino gradual e, em alguns casos, ajuda de medicação. Veja o nosso plano passo a passo.
Os conselhos deste blog são informativos e não substituem a consulta com um médico veterinário.
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