Comportamento

Ansiedade de separação: o que é, sinais e causas

Ladra, uiva ou destrói a porta quando fica sozinho? Pode ser ansiedade de separação. Saiba distinguir de tédio ou falta de educação e porque não é culpa do cão.

Equipa DogsClub3 min de leitura

A ansiedade de separação é um problema emocional: o cão entra em pânico quando fica sozinho ou longe da pessoa a quem está mais ligado. Não é desobediência nem vingança. Estima-se que afete uma parte importante dos cães (alguns estudos falam em cerca de 15 a 20%), e é uma das razões mais comuns para cães serem devolvidos às associações.

Sinais mais comuns

Acontecem só ou sobretudo quando o cão fica sozinho, muitas vezes nos primeiros 30 minutos:

  • Ladrar, ganir ou uivar sem parar (os vizinhos costumam ser os primeiros a avisar)
  • Arranhar e roer portas, janelas, molduras e estores, a tentar sair
  • Fazer xixi ou cocó em casa, mesmo tendo saído antes
  • Andar de um lado para o outro, ofegar, babar muito
  • Não tocar na comida nem no brinquedo recheado enquanto está sozinho
  • Tentar fugir, por vezes ferindo-se nas patas ou nos dentes
  • Ficar agitado quando percebe que vai sair: pegar nas chaves, calçar os sapatos
  • Receções exageradas quando volta

Filme o seu cão

A melhor forma de saber o que se passa é gravar o cão quando sai (um telemóvel velho ou uma câmara de vigilância chegam). Um cão que dorme tranquilo e só roeu um sapato por aborrecimento é muito diferente de um cão que chora à porta durante uma hora.

Não confundir com

  • Tédio ou falta de exercício: o cão destrói coisas ao acaso, não junto às saídas, e está bem-disposto.
  • Cachorro a aprender: acidentes de xixi e roer acontecem também com os donos em casa.
  • Medo de barulhos: o pânico começa com trovões, foguetes ou obras, não com a saída do dono.
  • Problemas de saúde: incontinência, dor ou doenças da idade podem parecer ansiedade. Por isso o primeiro passo é sempre o veterinário.

Causas e fatores de risco

Não há uma causa única. Os fatores mais associados são:

  • Cães adotados ou que mudaram de família
  • Mudanças na rotina: mudança de casa, regresso ao trabalho presencial depois de um período em casa, separação da família, morte de alguém próximo
  • Cães que nunca aprenderam a ficar sozinhos em cachorro
  • Separação da mãe e dos irmãos demasiado cedo
  • Cães idosos, por vezes associado a declínio cognitivo
  • Uma experiência assustadora vivida a sós (por exemplo, uma trovoada)

O que não ajuda

  • Castigar quando chega a casa. O cão não liga o castigo à porta roída há duas horas; só aprende que a chegada do dono também é assustadora.
  • Arranjar outro cão «para lhe fazer companhia». Às vezes ajuda, muitas vezes não: o cão está ligado à pessoa, não precisa de um cão qualquer.
  • Fechar numa caixa um cão em pânico. Pode ferir-se a tentar sair.

A boa notícia: a ansiedade de separação trata-se, com treino gradual e, em alguns casos, ajuda de medicação. Veja o nosso plano passo a passo.

Os conselhos deste blog são informativos e não substituem a consulta com um médico veterinário.

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